sábado, 13 de agosto de 2011

Capitão América

Vivem a nos enganar, já devia ter aprendido isso. A minha afeição por filmes estratosféricos, de orçamento estratosférico, de produção estratosférica, de efeitos especiais estratosféricos, de ação frenética e desenfreada é muito seletiva. Ludibriado pela propaganda, pelo teaser e pelo trailer fui ver Capitão América no cinema. Antes de descer a lenha, permita-me dizer que eu não acho esse o pior herói de HQ. O Capitão América é um herói politicamente muito importante. Inserido nesse belicismo americano no contexto das guerras mundias do século XX, ele representou um discurso e um retrato dessa cultura. Além disso, eu tenho um fraco pelos heróis de poucos poderes, os malditos. Batman, Wolverine e o próprio Capitão América.
Um filme desse porte, com esse investimento não pode ser tão insípido. Transformers que é um filme de merda, ao menos me apresenta efeitos especiais deslumbrantes, uma pesquisa de design de máquinas e robôs, etc. Capitão América não tem nada de novo. Fotografia medíocre (todos os cacoetes do cinema clássico de ação; o tratamento da imagem muito me lembrou Watchmen), Direção de Arte que imita todos esses filmes passados na guerra (a roupa dele é legal), os efeitos especiais são às vezes até meio toscos, erros de continuidade, enfim, um filme preguiçoso.
Ruim mesmo é o roteiro e o argumento. Os EUA há alguns anos perderam sua invencibilidade como potência e têm tentado de muitas formas se reafirmarem no cenário político mundial. Tornaram-se uma nação viciada, pouco inventiva e o capitalismo, um modelo econômico camaleônico por natureza pois baseia-se na competitividade, se engessou com todo o resto. A questão da guerra tão presente nos HQs do herói seria um ótimo mote para posicionarem-se e fundamentarem seus argumentos de forma crítica e afirmativa. Obama subiu ao palanque porque o mundo quis ver um estadista que desse essa nova cara, mas... efetivamente, temos substancial mudança? A crise sugere outra coisa. No cinema não poderia ser diferente. O cinema já foi mais influente nos hábitos da cultura mundial, contudo ainda é uma força importante de promoção de uma nação. É um desperdício um símbolo como Capitão América não ser usado de forma mais estratégica, merecia um roteiro bem construído tecnicamente e que provocasse discussão como esses dois da nova safra Batman. Falta é um pouco de amor próprio pro país mais orgulhoso do mundo, falta capricho pro país mais competitivo do mundo.

Um comentário:

thiagobs disse...

caraca, mano, concordo em g~enero número e grau. Seu maior brilho sem dúvida é na análise cinematográfica (perdoe minha ignorância por não ter mum termo melhor), mas não sabia que também mandava ver tanto assim na parte histórica e política. Seus comentários sobre isso são dignos dos maiores conhecedores do assunto mano, sem babar ovo. Abraço meu velho, saudade de filosofar no boteco contigo (e tbm dos nossos papos calabresa hehehe)