terça-feira, 28 de dezembro de 2010

sábado, 25 de dezembro de 2010

Sublime nela

Ele tinha a displicência que lhe é de direito. Ela gesticulava ao falar de tanta dor, falava com as mãos e as unhas gritavam nos olhos de Felipe. O rosto de Anabela empoçado, mas eram as mãos que lhe faziam vista. Enquanto ela gesticulava, maestrina, ele olhava as mãos bailando tango no ar. Ela levou-as ao rosto para enxugar as lágrimas e Felipe notou que chorava. "Há quanto tempo estaria chorando ela?". As unhas vermelhas combinavam com os olhos vermelhos de raiva.
Agradeceu por fazer parte desse momento. As agonias dela eram de uma beleza própria, mais, eram o sublime estarrecendo-o. Anabela trazia uma fotografia à mente e como se clicada, a cena lembrou-o a pensar, o contexto virou enquadramento, Felipe esqueceu de sentir e levou seus olhos para o rosto dela.
Ela o consultou aos prantos, procurando convalescença nas palavras dele:
- Felipe, pelo amor de Deus, o que eu faço?
- É uma situação delicada - respondeu ele do alto da sua previsibilidade.
Ela gemia por ajuda e enquanto chorava e olhava em seus olhos, naturalmente Felipe imitava seus gestos fazendo uma cara de dor e sofreguidão. A expressão era de consentimento. Mas não era compaixão, não era piedade, era o terror da beleza.
Ela pediu que ele a entendesse. Ela segurou seus braços fortes buscando sua força. Puxou sua camisa com força, amassando à rota. Debulhou no seu ombro e babou. Clamou por ajuda, decidida de que um homem como Felipe certamente poderia socorrê-la. Nem a tragédia da história relatada não o fez titubear. Estava firme de que não havia torpeza em não aconselhá-la, pareceria que estava surpreso pelos terríveis acontecimentos e o estado de choque o teria emudecido.
Ele não podia, continuaria lacônico fingindo entendê-la - talvez até a entendesse se as lágrimas não houvessem roubado toda a atenção. "Pois continue", pensou. Faria que sim, sim, não há maior beleza no mundo que uma mulher chorando.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Pra você

Meu compadre Vinícius me mostrou esse trecho. Na verdade nunca li o livro, mas essa frase já me fez um bordão, não, não, melhor, um lema - que não queria ter que carregar. Adaptando de Marçal Aquino pra ficar justo, isto é, passando para o feminino

Gente como ela, no fim, acaba saindo mais cedo de bares, de brigas e de amores para não pagar a conta. Isso ela poderia ter dito a ele. Mas nunca disse.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Poesia

Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu Eu