segunda-feira, 12 de julho de 2010

Mandril


Olha aí, saiu a revista Mandril!
A ideia é do meu amigo Patrick que me chamou pra fazer as ilustrações. O negócio criou corpo, tomou forma e saiu essa belezura que vocês podem ver aqui: Mandril.
Pra quem tem twitter, sigam aí: @revista_mandril.
Tô na página 2 (assinando como Mena), 8, 32 e 34.


A primeira de muitas!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O importante

É sempre assim, eu torço pelo Brasil como um medroso vê um filme de terror. Blasfemo contra esse Império Sagrado que é a seleção brasileira para os brasileiros. Digo que torço pela Holanda, que torço pelo Uruguai que nos tirou a Copa no Brasil e até, veja que pecado, pela Argentina - eu acho difícil mesmo torcer pra esse elenco robótico. É como um mecanismo de defesa, você vê um thriller de terror e tenta não se envolver no suspense. Acende a luz, se preocupa com as pessoas que passam pela sala, ri do monstro, diz que isso não é possível no mundo real... Mas quando vem o susto, você pula. E grita. E quando vem o gol, você pula. E grita. E quando vem o baque, você sente, cara. Quase chora. A densidade do espetáculo toma tudo.
Mas acaba o filme, acaba a Copa e a seleção perde. Foi bom, foi legal, mas eu não tinha nada pra fazer e tava passando esse filme no Telecine, acabei ficando por ali. Graças a Deus - aliás, graças a mim - sobra razão depois. O Brasil investiu nas quartas-de-final, como quem viaja no cruzeiro do Roberto Carlos na classe econômica. Diz que esteve lá, que viu o Rei cantar, mas viu de tão longe que era melhor olhar no telão. Já a Holanda comprou camarote e ainda visita o camarim dele no final, não quis poupar. Mas o importante é competir, né?
O que é importante, e eu nos meus argumentos contra a seleção já dizia, é que agora a imprensa - é pra isso que ela serve - tem de fazer pressão para que a Copa no Brasil em 2014 seja decente. Que os políticos roubem um pouco menos na construção dos estádios, que a infra-estrutura para esse campeonato seja pensada com planejamento urbano, que seja uma oportunidade de melhora do que vejo como o mais urgente problema do inchaço urbano, o transporte, e que no futebol, tenhamos um técnico firme mas não arrogante, um time criativo, um banco de reservas que não nos desespere. Perder a Copa no Brasil seria o fim. Tudo iria ruir. É preciso que a imprensa cobre no campo político e no campo de futebol.

Mas o que é importante mesmo é que o meu São Paulo pode ganhar a Libertadores. Espero que essa derrota não traga apatia aos brasileiros, que não influencie os jogadores. Porque até então acompanhar a seleção era bacana: toma umas cervejas, curte com os amigos, grita, quase chora. Mas se o meu São Paulo perde por conta do Dunga... aí, meu rei, cabeças vão rolar.

Agora na torcida pelo Uruguai. Tem o meu querido Lugano tricolor e o Forlán que joga demais (ainda vai fazer a vontade do pai e jogar no São Paulo, cê vai ver). O jogo de hoje foi o melhor da Copa. Se a mão de Maradona é a de Deus, a do Suarez é a de Zeus. Fé, Uruguai!