terça-feira, 27 de outubro de 2009

Suadouro

só saia se sair Sol
só saia se sambar
sevícias, sirvam-no
serão santas,
só saia se sonhar
só saia se sofrer
só saia se sanhoso
só saia são
Só, sozinho

Tem Tempo

Os traços do relógio
guardam as horas sisudas e seguras
guardam o tempo

não me interessa

interessam, para mim,
as horas que nenhum relógio consegue medir
as horas que tem tempos tento falar
as horas que, ainda à tempo, direi:

as horas do CONTRA-TEMPO.

domingo, 25 de outubro de 2009

Mural de Mensagens

Passando só pra dar uma olhada mesmo. E pra dizer que a cabeça não para, não. Mas o tempo devia parar também para escrever por aqui.
(Maurício, o dono do blog)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Mural de Mensagens

Não se esquecer de calcular o seu atraso na aula quando for horário de verão.
(Universitário Comum)

Mural de Mensagens

Filma eu ô Print Screen!
(Anônimo)

Mural de Mensagens

Não se esquecer de tirar as notas de R$100,00 que deixou na janela para secar.
(Sr. Ricardo Matarazzo)

Mural de Mensagens

Pai, deixei um recado pra mamãe ma acho que ela não viu, será que o senhor poderia me mandar um dinheiro? Precisava comprar uns livros, é sério.
(Universitário comum crônico)

Mural de Mensagens

Mãe, me manda um dinheiro que a coisa aqui ficou preta.
(Universitário comum)

sábado, 17 de outubro de 2009

"Entre ásperas"

"Ah se o mundo inteiro me pudesse ouvir...
Eu ia ficar sem graça pra falar"
Como diria meu mano TIMhago Steckelberg

terça-feira, 13 de outubro de 2009

à galhofa!

Já me disseram que não é sempre que conseguem notar se estou a brincar ou a falar sério. Talvez porque eu não veja mesmo tanta diferença. Quando fico sério demais, passado o tempo, vejo que poderia ter rido mais daquilo. As coisas poderiam ser menos sisudas. Todo mundo poderia trabalhar brincando, pois brincar é uma das coisas coisas mais sérias que conheço. As coisas poderiam ser como um filme do Tarantino, ou uma tirinha do Laerte. As coisas poderiam ser um pouco mais brasileiras e, se nós somos os país do futuro - eu acredito nisso! sem brincadeira, agora! - o mundo ainda há de comer o biscoito fino que fabricamos.
Não dou ponto sem nódoa, ridendo castigat mores!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Ridendo castigat mores



Quadrinho do genial André Dahmer.

Ridendo castigat mores.

Roda Morta

O triste nisso tudo é tudo isso
Quer dizer, tirando nada, só me resta o compromisso
Com os dentes cariados da alegria
Com o desgosto e a agonia da manada dos normais
O triste em tudo isso é isso tudo
E as máquinas cavando um poço fundo
entre os braçais, eu mesmo e o mundo dos salões coloniais
Colônias de abutres colunáveis
Gaviões bem sociáveis vomitando entre os cristais
E as cristas desses galos de brinquedo
Cuja covardia e medo dão ao sol um tom lilás
Eu vejo um mofo verde no meu fraque
E as moscas mortas no conhaque que eu herdei dos ancestrais
E as hordas de demônios quando eu durmo
Infestando o horror noturno dos meu sonhos infernais
Eu sei que quando acordo eu visto a cara falsa
e infame como a tara do mais vil dentre os mortais
E morro quando adentro o gabinete
Onde o sócio o e o alcaguete não me deixam nunca em paz
O triste em tudo isso é que eu sei disso
Eu vivo disso e além disso eu quero sempre mais e mais

(Sérgio Sampaio)

domingo, 4 de outubro de 2009

Elas, minha literatura

A primeira foi um romance romântico. Escrita em novelas, tipo José Alencar, me fazia mendigar uns finais-de-semana para que completasse seu enredo, para que continuasse os seus finais suspensos. Como antigamente, quando só o Rio era alfabetizado, a gente lê para ocupar-se e porque faz parte daquele quinhão diminuto de poucos que tem acesso àquela prosa. Depois disso, abandona-se na estante. Vale enquanto dura, ri, curte o mistério, embarca na estória, mas o que se tem é pura ficção. Ludibriados com nossas próprias palavras bonitas, com nossas vontades, porém só a doce descoberta da literatura, a admiração do incompreensível, a identificação com as letras, apenas.
Mas ainda restou-me um livro de auto-ajuda que comecei a ler enquanto não havia terminado este. Tinha uma capa muito gostosa de se ver, boas intenções, conselhos, linguagem simples, mas nunca foi a minha linguagem. Para me achar prefiro escrever a ler . Este texto nem mesmo terminei.
Daí veio, enquanto lia o romance e o livro de auto-ajuda, o gibi. Os quadrinhos são o meu mal maior. Me fazem sucumbir, são como penso escrever, escrevendo com desenhos, frases curtas na cabeça e diretas no coração. Vem assim de assalto, sacodem seu esteio, te confundem, te fazem pensar mais que um livro de Sartre. Linguagem que cabe nas minhas roupas. É uma literatura pouco apreciada, subestimada e como bom idiota que sou, larguei para ficar com aquele livro de auto-ajuda; disseram, as críticas especializadas, que me fariam melhor, que era pro meu bem. Só porque ele era um livro gostoso e eu precisava de ajuda, consenti. Eu não sabia o que ler depois do romance da moreninha. Pudera eu ter lido todos os gibis de Laerte ou de Dahmer e seria mais feliz.
Fui lançado às apostilas de cursinho. Nunca me senti tão triste em toda a minha vida, passava só o olho e não lia nada com afinco.
Então despenquei nas poesias árcades; elas me vieram sem pedir, um amigo meu apresentou-me uma obra-prima a qual não parei de ler. Virei poeta, escrevia para minha Marília de Dirceu todos os dias, vivi como poeta. Fiz minhas milhares de petições diárias para mudar-se para o interior, fugere urbem!
Natural como um poema, a vida pede outros romaces. A chácara seria a mesma, o cachorro seria ainda um labrador negro de nome Branco, a rede para deitar ainda seria perto da cachoeira, a horta ainda teria as mesmas verduras: muito majericão e nada de coentro. Os livros seriam outros.
Em nova cidade, levei minha chácara para lá. Algumas obras já foram lidas. Umas nada tinham que adentrar cá, nem mereciam o quintal. Outras fizeram questão de entrar, visitar, e sair ao amanhecer, eram apenas contos. Outras mereciam todos os aposentos, mas nunca pude ter tais obras por serem densas demais para mim ou caras demais para comprar ou difíceis demais de se acharem, edições raras. Outras só fitei a capa, mas estavam reservadas para outros chacareiros, na maioria grandes latifundiários, a prenderam-nas em suas estantes em seus alqueires. Sem saber que nem toda obra é best-seller e é feita para todo mundo, há obras que querem escolher o seu leitor.

Modinha Pós-Moderna

Chegou a época em que é legal achar chata a vida.

Desnovelo III

Em briga de pobre, pessoas saem feridas. Em briga de rico, pessoas saem para comprar os vasos quebrados.