quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Algumas entrevistas de Ernesto Varela



Algumas perguntas cabeludas do carequinha Tas.
*Reparem nos nomes da equipe do programa.

Justificando

Nem gosto de falar com ares jornalísticos por aqui. Prefiro tratar as coisas com mais poesia nesse colóquio. Mas também não vou fazer mais um blog pra tomar partido de tudo o que ocorre nos noticiários, então posto por aqui mesmo.
Esse blog é o que sou e o que me preocupa. Essas coisas me preocupam sinceramente, ainda que sejam jornalísticas.

Custe o que custar, fiquem onde estão!

Na onda jornalística, queria dizer que tomara que seja só boato essa de que o CQC vai ter um desmanche em 2010. Danilo e Oscar pra emissora do Senhor, Luque pra Zorra Total... O melhor programa da televisão aberta (o único que vale a pena assistir) não pode acabar assim. E eles não podem ceder assim tão fácil! Eu ainda boto quente no Tas - eterno repórter Ernesto Varela - no comando de qualquer coisa. Um programa que queira trasgredir o jornalismo, sambar com essa sisudez de Bonner, sacudir a corja e, de quebra, muito bom entretenimento, não pode ser desbancado assim.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Pela propriedade Intelectual

Vi no blog da OZI, Escola de Audiovisual aqui de Brasília, esta sacanagem. O primeiro vídeo que se segue é um curta-metragem de animação da turma que se formou e ganhou prêmios merecidos. Eu destaco o roteiro, que é o que mais me interessa na animação. Daí me vem o governo do Rio Grande do Sul e comete esse assalto intelectual! O segundo vídeo é uma propaganda veiculada pela agência Paim, contratada pelo estado gaúcho, e é uma cópia. Até alguns planos foram plagiados.
Fico puto com isso, pois até piada em buteco eu digo a fonte.
A Agência se retratou dizendo, no seu site:

"A Paim tem 18 anos de Mercado e uma reputação ética inabalável. Nunca tivemos nenhuma condenação no CONAR (aliás, quase nunca fomos representados). O mercado regional e nacional nos conhece bem.
Foi uma daquelas infelizes coincidências que podem acontecer quando há intersecção entre arte e propaganda. Ainda mais quando a referência de ambos é a mesma!"


Acho difícil que haja tantas coincidências, é só ver e tirar suas conclusões. Isso me pareceu aquela conversa do sabe-com-quem-está-falando.
É preciso leis severas de regulamentação da propriedade intelectual. Até o Mainardi tem direito a cunhar as suas burrices.
É preciso que o Brasil se inspire nas leis francesas e na vigilância que o governo faz na internet. A internet é um poço de inspiração e de xerox. Não estou fazendo discurso contra a pirataria, isso é outra coisa. É pegar uma ideia e dizer que é sua, é não dar os créditos (como fez a cantora Lily Allen, porta-voz da anti-pirataria no seu blog semana passada).

Entretanto, pedir que o mais forte não oprima o mais fraco, isso não posso clamar. É sistêmico. Não concordo com Marx nem com Niemeyer, pois acho inviável tais ideais. O governo e os seus braços são os pica grossa, não a escola de audiovisual - apesar de todo seu renome também. É triste mesmo.

Parabéns aos alunos pelo ótimo filme. E parabéns também a quem delatou o "crime".



sábado, 26 de setembro de 2009

Ode aos intelectualóides

ó baluartes da prepotência,
vigilantes da soberba,
complicadores de amor,
dificultadores da felicidade,
tipóias de enfermos,
contrariadores de simplicidade,
críticos de Nova York,
portadores de livros estrangeiros,
artistas da face,
discursadores voláteis,
sofismáveis mediante requinte dicioanaresco,
xerocadores de virtudes,
abusadores do 'para com',
ostentadores de biblioteca,

recolham seus respectivos cajados do conhecimento e sabedoria abundante
e enfiem, por obséquio, em seus respectivos cus!

Pós-crise

Eu amo as crises. Adentram a sala, reviram nossa mobília, roubam a nossa vigilância e saem pela janela, deixando a porta destrancada para voltarem assim que puderem. Posso dizer, confiante, que me reencontrei - ainda que amanhã a danada volte a me visitar. Sinto isso porque já consigo a cada 5 minutos odiar esse mundo - o da realidade - com a convicção que me é de destaque. Isso não é pessimismo, é consciência. É como um dia de Caeiro pra Pessoa.

Mentira

A mentira tem a perna curta, mas caminha a passos largos.

Stanley Kubrick





Faça você também Que
gênio-louco é você?
Uma criação de O Mundo Insano da Abyssinia




Para quem for se arriscar, postem nos comentários o resultado de vocês.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Meu mano

Queria dizer, cara, que nessas horas penso muito em você. Em quanto eu teria pra te dizer, mesmo estando vazio. E você me escutaria com sua paciência libriana, me diria outras coisas e acabaria por desviar o assunto a seu modo para seus conhecimentos. E sei que para conquistar realmente sua atenção é preciso bem mais. Eu sei quais momentos me ouve com todos os ouvidos, quando crê no que digo, quando aprende comigo. E sinto que hoje poderia ser um daqueles dias em que dividiríamos o chão do quarto lucubrando o mundo, perfilando nossa família, nos resolvendo como homens de caráter, homens de palavra, homens de verdade.
A gente falaria sobre tudo e todos com aquela acidez que é só nossa. Destilaríamos todos nossos venenos e preconceitos para se arrepender logo em seguida, querendo ser homens de verdade.
Falaríamos de nossos próximos, admirando os humildes e execrando (não existiria palavra melhor!) os prepotentes. Cada um ensinaria um cadinho pra cada. Você me ensinando sobre arquitetura, sobre ufologia, sobre religião e eu pontuando-o, dizendo como não pode ser e construindo meu discurso em cima do seu. Eu refreando seus acessos de pequena soberba e você refreando meus acessos de pequeno orgulho.
Depois falaríamos de mulheres, quais me enervam, quais me deixam sem rumo. Contaria um pouco de minhas histórias, você as suas. Falaria de como cada uma me representou e como eu sei tirar das coisas que me tocam. Como minha intuição trabalha e, nessa hora, eu sei, você me ouviria.
Contaríamos sobre as aflições dos últimos tempos. Sempre arranjávamos motivos para nos chatear, apesar de estarmos felizes!
Claro, como há de ser, encheríamo-nos de vanglórios. Diríamos em que somos bons e que o que está reservado para nós é maior. Um reconheceria e reiteraria no outro idiossincrasias de qualidades ímpares! Diria, com toda humildade que temos para tecer elogios a outrem: "Não há ninguém no mundo tão bom quanto você nisso". Com uma certa rasgação de seda, mas cheios de orgulho do outro.
Daí, olharíamos para o outro com tanta devoção, como se tivéssemos lavado a alma, parece que iríamos quase chorar, mas a gente se embruteceu um bocado. A gente ri, mas não como quando no almoço você ria tanto que cospia tudo. A gente encharca os olhos mas não chora como chorávamos quando papai nos mandava abraçar à força e íamos já se arrependendo de brigar. Depois de olhar assim um para outro nessa conversa de chão, diríamos palavras de como éramos honrados por sermos assim, essa relação tão leal pra sair dali conscientes do nosso lugar no mundo e com o peito aberto. Orgulhosos à beça.
Isso tudo me aconteceria, meu irmão, se você tivesse aqui comigo. Mas a gente cresceu um tantão e cada um vai seguindo seu rumo, mas eu não esqueço nunca as nossas promessas parceiras. Você está aí do outro lado do Atlântico, eu cá nessa terra um bocado estranha, mas ainda temos aquele chão de quarto a conversar. É triste passar, pela primeira vez, um aniversário seu longe de você. Feliz aniversário aí pra você, méguim. Que seja muito feliz.
Te amo, véio.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Para me achar

É tempo de vacas magras. A estiagem na cidade-de-dois-sóis chegou e sugou os lençóis da terra e também meu suor. Não me acho em nada e, já vou dizer, isso não sou eu. Tenho me procurado em outros poemas, mas também não há tempo para tanto. Não há tempo para meu ócio, não há tempo para as minhas sofreguidões a me arrastar para debaixo de mim, não há tempo nem de meu pobre intestino trabalhar como deve - e este já nasceu de recesso. É tempo seco, é tempo de trabalho. Espero não me arrepender de minhas escolhas, espero não me privar do meu ludismo. Eu queria mesmo é falar da beleza de alguma coisa, do amor, de um sorriso, de uma chácara que eu quereria ter, da morte, do processo educacional que para mim é certo, mas haja tacanhez. Sinto que posso sepultar meus sonhos com essas escolhas, mas essa é minha atual angústia, mas meu motor também. A meus amigos em crise, bem-vindos! Há tempos tenho passado pelo mesmo. Para isso uso um pouco daquele piloto automático, afinal 'você é um jornalista, companheiro!', bem na contra-mão do poema de Leminski.
Paro por aqui, pois sei que não me econtrarei fazendo prosas poéticas hoje - basta de exercer meu sistema transpiratório.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

O eremita

Reduto

Fui escrevendo nas paredes, fui pintando meu redor. Fui me estampando, me scaneando e me imprimindo em muros. À porta de saída nomeei 'As Portas da Decepção'. Coloquei pedaços de mim que haviam caído em páginas minhas e de outrem, recolhi, garimpei. Fui espargindo meu sangue, meu cheiro, meu cérebro num coquetel louco em cada centímetro quadrado. Fui vomitando, cuspindo em tudo. Passei rosas também. As de pouco perfume. Fui sentindo meu gosto, tomando doses de mim. Fui refazendo minha aldeia em terra estrangeira, cercando-a de sonhos. Me isolei hermeticamente, vedei as portas de qualquer pensamento senão o meu, senão eu. Me revolvi ao meu reduto construído com a dor e a delícia de saber quem sou eu.
Erigi muralhas pra construir uma fortaleza. Tudo isso para que no dia de hoje, eu ermitão, pudesse me sentir melhor.

O último poema

Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

(Manuel Bandeira)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Parada Cardíaca

Essa minha secura
essa minha falta de sentimento
não tem ninguém que segure
vem de dentro

Vem da zona escura
donde vem o que sinto
sinto muito
sentir é muito lento

(Paulo Leminski)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Campanha anti-twitter III

A campanha ainda nem foi fundamentada e já contamos com dois adeptos. Há alguns dias meu companheiro de devaneios aderiu, como comentou em seu blog (http://danilosteck.blogspot.com/2009/08/camapanha-anti-twitter.html), e agora Feresin, sócio-fundador da Doutrina Gosrdística (está para nascer ainda os alicerces da doutrina mais pesada do mundo!), confessou sua queda pela campanha e vai lutar por ela também.

Na verdade ela já foi fundamentada em conversas de bar, disseminando a ideia sem nenhum discurso crente de convencer todos a se juntar ao lado negro da força. O papo vem e eu digo o que eu penso, quem quiser embarcar nessa e ser chamado de vovô ou dinossauro, vem comigo.

Já contamos com vários twitteiros reclamando pelos cantos (nossa primeira vitória!). Não queremos fazer com que o mundo largue seus twitters e vão para os blogs declamar poesias, primeiro porque eu acho injusto esse papo-Tim-Maia-Racional de arrebanhar pessoas, segundo somos conscientes da nossa pequenez - nunca passará de 10 os adeptos (se passar eu prometo fazer jejum de pão-de-queijo por um mês) - terceiro porque já vimos na História que lutar contra o imposto culturalmente é um suicídio ("eu não sou besta pra tirar onda de herói", Raulzito) e quarto porque isso não é nada sério, que é como penso que tudo deveria ser - pra quê tanta justificativa?

Ainda assim, temos levado em conta a hipótese de causar um bug do novo milênio.

Sério mesmo

Sério mesmo, se alguém me levar muito a sério, eu vou apelar.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Nada

E como as palavras poderiam comportar tudo o que eu sinto agora que é nada? Se eu escrevo "nada", que dirá isso mais do que nada? As palavras, por ser algo, já são desleais a meu sentimento nadificante. E esse vazio no peito chiando, não reverbera em nada. Se o silêncio é som, como alguém escutaria-me? Se eu, ermitão, revolvido a meu quarto, falasse ou fizesse gestos que expressassem tudo o que eu sinto, que é nada, quem me veria?
Tudo é a tentativa vã. Ser é ser metade. Ser é uma tentativa frustrada e, nem a arte, será a representação cabal do meu corpo agora depovoado. E já hoje nada me surpreenderia, nem o desvio de minhas certezas, nem ninguém poderia falar algo que me chocaria. Nada me afeta hoje, agora. Que desabe o mundo, eu não vou me importar. Todo dia me canso mais um pouco disso aqui.
Nada, nem eu, é confiável.
As pessoas traem-se, imbuídas de razão. A razão vai ainda sufocar as pessoas. E penso em todas as minhas tentativas de me animalizar, de ser cada vez mais próximo de mim. Desde o filme do homem-urso, desde a aventura de Alex Supertramp, desde o namoro que me entreguei, desde os dias que comecei a escrever como terapia, desde o dia que descobri que quanto mais vazio, mais se é cheio de virtudes. E todas as vezes, por míngua de forças ou por empecilhos eu via que tudo é uma meia tigela. Nada comportará tudo o que eu sinto nesse exato momento - nem o fato de eu estar escrevendo como se psicografasse. Eu mesmo, com toda a minha metafísica, não sei racionalizar o ar que sopra no meu peito, esse vazio que faz eco; a tentativa de explicar-me já é a deturpação do que eu sinto. Tudo é uma grande merda tentando se fazer cheirosa.
Todo mundo traindo seu coração.
Ando cansado, nem a ficção comporta mais minha realidade. Entregar-se a deus é a redenção? E o medo de perder essa aposta sem volta?

Mas amanhã é outro dia para me enganar.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

aê meu velho! (IV)

Diálogos poéticos

Maurício :

"Diga, meu amigo"

"A : Thiago, mas que sina
B : me diga qual é essa
A : fixação sua com a rima?

A : alternadas, interpoladas
A : muito bem metrificadas

B : mas versos livres e brancos
B : que não poderiam ser mais francos

A : Diga, meu amigo, se é estetica
B : se é pretensão
C : se é vicío
C : ou indício
B : de predileção
A : por trás da métrica."


Thiago :

" Réplica"

"A : Digo-te amigo
B : te respondo de bate-pronto
A : esse mania nasceu comigo
B : e vem à tona quando eu me confronto


C : comecei de baixo
D : espero chegar lá em cima
C : mas eis o que eu acho
D : se é bonito melhora quando rima

E: mas também te digo, maurício
F: usufruindo meu direito de resposta
E: o poeta não sabe se é vício
F: ou se faz porque gosta "





brincadeiras à parte
com bebedeiras em festa
descobri por aqui
que muito mais que pequi
goiânia também exporta poetas.


maurício
e thiago
dupla
de poetas
beira-lago.


JÁ que brasília não tem mar
não tem problema nenhum
a gente só amar...


e é encontrando poetas disfarçacados no mundo
nessas empreitadas solitárias
que continuo me permitindo ir a fundo
e escrever minhas poesias diárias;

http://parapoetisar.blogspot.com/2009/08/dialogos-poeticos.html#comments
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Assim escreveu meu parceiro leminskiano. Que boas descobertas a vida traz. Já é querido entre os poucos.
Escreve muito, mano. Não p(á)ara!