domingo, 31 de maio de 2009

Poesia - em construção

Dela as coxas brancas que contavam histórias.
D'outra o olhar furtivo, que escondiam histórias.
De ainda outra, o gosto da boca.
Desta o sorriso. Vai ser, vai ter de ser.

sábado, 30 de maio de 2009

The Real Human Interface

http://www.engadget.com/2009/05/22/the-real-human-interface/

Vi isso num twitter da vida aí.
Genial.

Bastardos Inglórios



Tarantino!
Estréia só dia 23 de outubro. Ficamos na espera.

Se eu tivesse um mundo

Se eu tivesse um mundo ou fosse o legislador deste que tenho residência, eu não mandaria ladrilhar nada com pedrinhas de brilhante. Teria um projeto único motriz, um projeto para abolir o que julgo ser o esteio firme dessa porcaria toda. Um projeto libertário que traria os maiores benefícios do mundo para esse que viria.

A primeira e única lei reinante seria: “Está instituída por outorga minha que o mérito terá todos os méritos na avaliação de cada indivíduo e será proibida e intensamente combatida a culpa cristã-católica que mora em cada um”. A despeito de ateísmos, pois até acredito em uma força maior, só não penso que até os cadarços de meu tênis foram feitos por esse ser supremo. Para os orientais abriria uma medida provisória para que abrandassem a cultura da honra – é boa, mas excessiva.

Nenhum crime será tão hediondo, nenhuma má intenção será tão má, nenhuma cama nem nenhuma chuva serão maiores que a indolência e o estorvo da culpa. Quantos textos deixaram de ser escritos, músicas de serem feitas, obras geniais, construções visionárias, idéias incríveis foram perdidas! Porque tudo é cíclico e tem a culpa como rabo da cobra de Uroboro? Porque o elogio não pode ser o motor de nosso ímpeto? Porque é preciso se sentir mal para que se faça o bem? Se somos falhos porque se importar com as falhas? Se acrasias nos convidam para o erro por que sempre ficamos nostálgicos com o porvir? Para que tanta pompa, tanta burocracia, tanto impedimento?

Eu realmente não sei ainda se o contraste da vida é que nos faz melhorar ou se só podemos ser bem mais porque existe o bem menos, mas eu testaria nesse mundo. Arriscaria perder tudo para se construir mais do que nossas limitações nos impedem.

Se desse errado, crimes violentos se proliferassem como vírus, os homens parassem de se indignar ou perdessem a fé nas coisas ou nada genial brotasse eu mudaria o meu projeto. Suspendia a outorga, decretava um ano de feriado mundial e pagava uma rodada de cerveja para todo o mundo. Depois ia pensar. Poderia começar tudo de novo até. Mas ainda acho que o problema está na maçã que a Eva comeu. Se ela estava com vontade, não sei por que o mundo tem de pagar por isso.

SE

Se minha mãe fosse homem, meu pai era viado.

"Até o Sol Raiá"



Até o Sol Raiá é provavelmente uma das melhores animações brasileiras em 3D de todos os tempos. Dirigido, animado e tudo mais por Fernando Jorge e Leandro Amorim de Recife, acabou meio desconhecido pois rodou poucos festivais, mas agora tá inteirinho no youtube.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Saramago, Jabor, Veríssimo ou Drummond


Quadrinho de André Dahmer.

Entregue

Tá. Só um medroso como eu pra fazer tanto melindre.
Procurei me testar nesse ínterim; não fiz menos do que minhas expectativas confidenciaram-me. Espero dar certo, sério.
A gente mitiga o medo, se esforça em esquecer e se lembra toda hora de esquecer. Daí, uma hora a gente fatiga o medo de tanto fustigar. Pensava, pensava, pensava, penso, penso, penso, não penso mais, nem sei se pensarei. No meio de um poema, ou de um bife mal-passado, ou de uma caminhada pra casa, a gente se lembra que esqueceu. Pronto; vai dar certo.
Está aí; devassem.

O que você diria para um jovem que deseja se tornar um escritor?
DANIEL GALERA - Nunca esqueça que não há evidência nenhuma de que qualquer ser humano na face da terra esteja minimamente interessado no que você tem a dizer.
(http://wwwb.click21.mypage.com.br/MyBlog/visualiza_blog.asp?site=clickinversos.myblog.com.br&primpost=yETg83Jwv6Xt0XMq04uH71012192726IRYHH3H0PF&inframe=T)

Mulheres

Há aquelas que se exibem em seus meandros, curvas sinuosas e insinuantes, como um rio caudaloso que não pede passagem, passa e deixa saudades demais. Na maioria só carregam sua volumosa existência, com pouco conteúdo na sua bagagem, vazias, fixadas apenas em passar.
Há aquelas que ante a força do tempo inundam lugares com sua obstinação e energia; amiúde a reformar, contornando, empurrando, perseverando, conquistando-nos com o seu custar. São tal como os mares a se rechaçar nas pedras, tão moles em rochas tão duras, até depois de tanto martírio conseguirem furar.
Também existem aquelas diminutas, empoçadas por aí. Vivem em suas limitações por falta de atributos que as façam transbordar e partir para outros lugares. Inertes e esperançosas sonham com um rio caudaloso que chegue correndo e as leve consigo, turbilhonando; um pé-d’água que provoque seu desterro. Por vezes, tal indolência pode trazer desventuras sofríveis. Os parasitas se aproveitam, acabam com suas belezas tímidas, roubam seus espaços, transformam o seu nicho e as enchem de cólera.
São também aquelas garotas finas e esbeltas como garotas finas espertas, tão subestimadas pela escassez de curvas. Discorrem pretensiosamente, vagarosas em seu enxágüe, vem silenciosas para abordá-lo, mas basta alguns minutos em seus domínios para que se dê conta do conto do vigário que lhe foi aplicado, encontrando-se encharcado, até enlamaçado.
Há de se considerar aquelas do dia-a-dia, usadas à torto e à direito nos deveres domésticos, nos banheiros públicos, misturadas com álcool barato, nos cochos da roça para os cavalos e bois. Negligenciadas e escurraçadas.
Por fim, e não há menos do que isso, há aquelas avassaladoras, capazes de destruir famílias com suas maldades, derrubam cidades, regiões, nações inteiras. Torrenciais, volumosas, despencam sobre os homens sem aviso, com alarde, alaridas. Roubam-nos a consciência quando não os bens, o carro, a casa. São capazes de repartir uma família ao meio, trucidá-la. Seja em Blumenau, no Sri Lanka, na Sicília ou na Ilha de Atlântida, iradas levam homens seguros à fossa, obrigando-nos a recomeçar sua vida. Muitos destes não conseguem recuperar seu prestígio e acabam por nunca mais viver, alagados em lágrimas, destroçados pela lembrança funesta daquela mulher.
Ainda que todas assim tão esquadrinhadas, são todas como água, sempre em movimento, obedecendo a um ciclo, mas sempre mutáveis, portanto imprevisíveis, como pensou Heráclito, não podemos banhar-nos duas vezes no mesmo rio, porque o rio não é mais o mesmo.

Behr refundando Brasília

Segue aí 3 poesias de Nicolas Behr enquanto descubro Brasília.

naquela noite
suzana estava
mais w3
do que nunca
toda eixosa
cheia de L2

suzana,
vai ser superquadra
assim lá na minha cama
(L2 noves fora W3, 1980)

eixos que se cruzam
pessoas que não se encontram

...

a cidade é isso mesmo
que você está vendo
mesmo que você
não esteja vendo nada

...
começa a demolição
quero que pra mim
os anjos da catedral

...

a superquadra nada mais é
do que a solidão
dividida em blocos
(Brasília Revisitada, vol. 1, 2004)

nossa senhora do cerrado,
protetora dos pedestres
que atravessam o eixão
as seis horas da tarde,
fazei com que eu chegue
são e salvo na casa da noélia
(Entre Quandras, 1979)

Viajante Solitário

"Eu estava disposto a me casar com ela, adotar sua filhinha e tudo mais, caso ela se divorciasse do cara, mas nem sequer havia dinheiro suficiente para o divórcio e a transa toda era irremediável; além do mais, Lucille jamais me compreenderia; gosto de muitas coisas ao mesmo tempo e me confundo inteiro e fico todo enrolado correndo de uma estrela cadente a outra até desistir. Assim é a noite, e é isso o que ela faz com você, eu não tinha nada a oferecer para ninguém, a não ser minha própria confusão". Sal Paradise em On The Road, de Jack Kerouac.

Quanto

Com quantos fakes se faz um real?
Com quantos modernos se faz um contemporâneo?
Com quanta modéstia se faz uma admiração?
Com quanta soberba se faz um repúdio?
Com quantos postagens se faz um perfil?
Com quantos recursos metalinguísticos se faz um vício?
Com quanto labor se faz um legado?
Com quantos passos se caminha o mundo?
Com quantos olhadas se faz um olhar?
Com quantas palavras se faz um texto?
Com quantos sonhos se faz uma ação?
Com quantos anos se faz a maturidade?
Preciso de quantas idéias para ser medido?

- Uns 3 quilos sem osso, por favor. Pode moer duas vezes também. Acho que dá.
- Grato, volte sempre.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Ensaio sobre a crise

Daí vem um cara que me diz que a escrita é um pulo no desconhecido, que a crise é a mais fiel amiga. Essas coisas que eu não me canso de ouvir e que preciso, como um elogio, pra poder sorrir.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Conversa de botas batidas

Não aguento mais um idoso. Esse pessoal da melhor idade tem me dado repugnância. Com todo o respeito, eu tenho os odiado.
Talvez tenha crescido querendo ser homenzinho logo, querendo ser grande e ter responsabilidades. As coisas agora começam a se inverter. Posso dizer com todas as letras e palpitações: meu maior medo é ficar velho. Não quero mais nenhum ano nas minhas costas, quero estacionar nos 20 e viver assim pra sempre.
A rotina me enoja, os papos-cabeça-demais que nada mais são que as coisas pequenas bem cheias de rebuscamento (vai pra porra com os seus vícios de personalidade!), o excesso de opinião porque só refletem os egos querendo reconhecimento, a invenção calcada em um processo industrial-jornalístico em que criatividade vem depois de fórmula criativa.
Fodam-se todas as explicações porque (pessimista e realista) elas só são as vontades de dizer quem se é.

Eu preciso me lembrar que as palavras vieram depois dos homens.


Cara, que dia chato. Acordei querendo não dormir mais e agora quero que me acordem só quando a fonte da juventude brotar.
Vai pro caralho com sua trangressão infecunda!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Você é a razão do meu não-esquema

É preciso apaixonar-se. Se eu tivesse algum autor predileto ou um caderninho de frases maneiras ou a memória de Capote, eu incrementava isso. No entanto, não tenho. Mas a legitimidade da frase não se perde. Gosto é daqueles que querem, que esperneiam, que não arredam o pé até conquistar; tenho um fraco pelos caçulas, é bom lembrar (tenho que escrever aquele texto do complexo caçúlico; eita, tanta coisa pra escrever).
Acho que arranjei mais uma paixão para me devotar.
Isso podia ser escrito em poema, ou em parênteses dentro de parênteses, pois uma coisa puxou a outra, ou nem deveria ser escrito, pois se escreve pra ser lido por outrem (talvez) e ninguém sabe da existência do meu blog - só o Guito, mas talvez tenha contado pra ele porque sei que ele não vai se lembrar. Porque diabos eu escrevo aqui? Na verdade eu tenho dois motivos, mas nem sei quais são. Só acho que tem de ser dois. Dois é um bom número.

Do que eu tava falando mesmo?
Quem é o Você do título?
Porque escrevi em parágrafos se na hora que eu pensei foi tudo junto?

Maaassa.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Brasília em noite fria

Evocado pelo desejo de conhecer-te, cá estou.
E vem me receber assim? Suas ruas não me seduzirão tão facilmente; nem seus dáblius e éles, nem suas curvas autorâmicas, nem seu uniforme terno. Ou suas quintas quentes. Nem sua estrada duplicada. Ainda menos a grandiloquência destes nativos ou naturalizados que, à luz do Palácio do Planalto Prosélito, são raposas no falar; tentarão me convencer, dirão aquelas palavras sofríveis e sofismáveis e estarei fechado. Não será também suas quadras diagramadas, os seus números inúmeros em placas, placas e mais placas. Nem seus lotes vazios que, sei, serão preenchidos em anos. Nem sua arquitetura pensada por um homem de ideias fortes e vermelhas, concretizadas no concreto.
Não quero lembrar então das suas cidades-satélite girando à míngua, nem de seu trânsito vindo (pela manhã) e voltando (à tardinha), nem da frieza de seus ventos a me ricochetearem logo cedo, nem da frieza de seus conterrâneos. Mais ainda na inviabilidade daquelas idéias vermelhas.
Exclusive tanto, ficarei filmando-te. Filme documental. Decifrando-te, devorando-te. Sem falsos juízos, sem paradigmas, vou. Nu em pêlo, devassável.
Mas não será nada disso que me conquistará, agravante a frieza que me oferece nesse dia longe do lar goiano. Terá de ser muito, muito mais. Ou muito menos: suas mulheres que não são feias como dizem ou seus prédios de três andares para que eu possa ver o céu.

Sei que preciso aprender
Quero viver pra saber
E conhecer Brasília

Ver o que há, Paranoá
Lago de sol, noite, lua
O olho do amor desconhece a armadilha
Assim vim ver Brasília

(Sérgio Sampaio, "Brasília")

terça-feira, 19 de maio de 2009

Porque é proibido pisar na grama

Letra do maior poeta da simplicidade, o poeta de mentalidade mediana, o alquimista.
Porque É Proibido Pisar Na Grama
Jorge Ben Jor

Acordei com uma vontade de saber como eu ia
E como ia meu mundo
Descobri que além de ser um anjo eu tenho cinco inimigos
Preciso de uma casa para minha velhice
Porém preciso de dinheiro pra fazer investimentos
Preciso às vezes ser durão
Pois eu sou muito sentimental meu amor
Preciso falar com alguém que precise de alguém
Prá falar também
Preciso mandar um cartão postal para o exterior
Prá meu amigo Big Joney
Preciso falar com aquela menina de rosa
Pois preciso de inspiração
Preciso ver uma vitória do meu time
Se for possível vê-lo campeão
Preciso ter fé em Deus
E me cuidar e olhar minha família
Preciso de carinho pois eu quero ser compreendido
Preciso saber que dia e hora ela passa por aqui
E se ela ainda gosta de mim
Preciso saber urgentemente
Porque é proibido pisar na grama

Testemunho de presença e porquê

Esse nome nasceu de um caderno roto meu que ainda carrega o mesmo nome - e ainda um alternativo (Aperiodário) - mas não quero copiá-lo, quero ter as mesmas inspirações: polutas poderão ser, porém sentidas no afresco/arfresco de meu peito.
Transpiro porque inspiro. Arfadas bem mais fortes serão necessárias desde aqui. Não sei pra onde isso vai, não penso ainda se vai vingar; apenas transpirarei.