Sou tão avesso
avesso com aversão
nada é tão para mim,
meu lado é sempre o outro
tudo fugidio
economizando palavras (onde não deveria poupar nada!)
para não me entregar de inteiro
pois sou avesso
e sou tão avesso
que o avesso de avesso,
para mim,
não é o certo,
é simplesmente:
osseva.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
frio 2
posto que as mãos são os olhos do coração
o tempo, agrura, não pode cegar-lhes não
muito menos consertar meus problemas de visão
o tempo, agrura, não pode cegar-lhes não
muito menos consertar meus problemas de visão
Os Nomes
Duas vezes se morre:
Primeiro na carne, depois no nome.
A carne desaparece, o nome persiste mas
Esvaziando-se de seu casto conteúdo
– Tantos gestos, palavras, silêncios –
Até que um dia sentimos,
Com uma pancada de espanto (ou de remorso?)
Que o nome querido já não nos soa como os outros.
Santinha nunca foi para mim o diminutivo de Santa.
Nem Santa nunca foi para mim a mulher sem pecado.
Santinha eram dois olhos míopes, quatro incisivos
claros à flor da boca.
Era a intuição rápida, o medo de tudo, um certo
modo de dizer "Meu Deus, valei-me".
Adelaide não foi para mim Adelaide somente,
Mas Cabeleira de Berenice, Inominata, Cassiopéia.
Adelaide hoje apenas substantivo próprio feminino.
(Manuel Bandeira)
Primeiro na carne, depois no nome.
A carne desaparece, o nome persiste mas
Esvaziando-se de seu casto conteúdo
– Tantos gestos, palavras, silêncios –
Até que um dia sentimos,
Com uma pancada de espanto (ou de remorso?)
Que o nome querido já não nos soa como os outros.
Santinha nunca foi para mim o diminutivo de Santa.
Nem Santa nunca foi para mim a mulher sem pecado.
Santinha eram dois olhos míopes, quatro incisivos
claros à flor da boca.
Era a intuição rápida, o medo de tudo, um certo
modo de dizer "Meu Deus, valei-me".
Adelaide não foi para mim Adelaide somente,
Mas Cabeleira de Berenice, Inominata, Cassiopéia.
Adelaide hoje apenas substantivo próprio feminino.
(Manuel Bandeira)
sábado, 12 de dezembro de 2009
frio
Eternas contigências
tenham clemência desse sedento
não deixem que o tempo fora
traga a frieza do cume dos Andes
para as mãos de minha(s) garota(s)
tenham clemência desse sedento
não deixem que o tempo fora
traga a frieza do cume dos Andes
para as mãos de minha(s) garota(s)
Bichos Escrotos
Bichos!
Saiam dos lixos
Baratas!
Me deixem ver suas patas
Ratos!
Entrem nos sapatos
Do cidadão civilizado...
Pulgas!
Que habitam minhas rugas
Onçinha pintada
Zebrinha listrada
Coelhinho peludo
Vão se fuder!
Porque aqui
Na face da terra
Só bicho escroto
É que vai ter...
Bichos Escrotos
Saiam dos esgotos
Bichos Escrotos
Venham enfeitar
Meu lar!
Meu jantar!
Meu nobre paladar!...
Bichos!
Saiam dos lixos
Baratas!
Me deixem ver suas patas
Ratos!
Entrem nos sapatos
Do cidadão civilizado...
Pulgas!
Que habitam minhas rugas
Onçinha pintada
Zebrinha listrada
Coelhinho peludo
Vão se fuder!
Porque aqui
Na face da terra
Só bicho escroto
É que vai ter...
Bichos!
Baratas!
Ratos!
Cidadão civilizado
Pulgas!
Onçinha pintada
Zebrinha listrada
Coelhinho peludo
Vão se fuder!
Porque aqui
Na face da terra
Só bicho escroto
É que vai ter...
Bichos Escrotos
Saiam dos esgotos
Bichos Escrotos
Venham enfeitar
Meu lar!
Meu jantar!
Meu nobre paladar!...
(Titãs - Nando Reis / Arnaldo Antunes / Sérgio Britto)
Saiam dos lixos
Baratas!
Me deixem ver suas patas
Ratos!
Entrem nos sapatos
Do cidadão civilizado...
Pulgas!
Que habitam minhas rugas
Onçinha pintada
Zebrinha listrada
Coelhinho peludo
Vão se fuder!
Porque aqui
Na face da terra
Só bicho escroto
É que vai ter...
Bichos Escrotos
Saiam dos esgotos
Bichos Escrotos
Venham enfeitar
Meu lar!
Meu jantar!
Meu nobre paladar!...
Bichos!
Saiam dos lixos
Baratas!
Me deixem ver suas patas
Ratos!
Entrem nos sapatos
Do cidadão civilizado...
Pulgas!
Que habitam minhas rugas
Onçinha pintada
Zebrinha listrada
Coelhinho peludo
Vão se fuder!
Porque aqui
Na face da terra
Só bicho escroto
É que vai ter...
Bichos!
Baratas!
Ratos!
Cidadão civilizado
Pulgas!
Onçinha pintada
Zebrinha listrada
Coelhinho peludo
Vão se fuder!
Porque aqui
Na face da terra
Só bicho escroto
É que vai ter...
Bichos Escrotos
Saiam dos esgotos
Bichos Escrotos
Venham enfeitar
Meu lar!
Meu jantar!
Meu nobre paladar!...
(Titãs - Nando Reis / Arnaldo Antunes / Sérgio Britto)
é agora ou já!
é safra
sacas gordas e derramantes para carregar
aproveita a chuva que o sol vem vindo pra cegar
pega isso aí e planta no papel
que dá samba
sacas gordas e derramantes para carregar
aproveita a chuva que o sol vem vindo pra cegar
pega isso aí e planta no papel
que dá samba
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
domingo, 6 de dezembro de 2009
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
— E você, por que desvia o olhar?
(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarra-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)
— Ah. Porque eu sou tímida.
Rita Apoena
(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarra-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)
— Ah. Porque eu sou tímida.
Rita Apoena
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Breu
Tem dia que a noite é escura
eu, esse capacho,
tô mendigando um feixezinho de luz, por favor
que a noite não passa
e nem a lua, veja lá, veio hoje descer
eu, esse capacho,
tô mendigando um feixezinho de luz, por favor
que a noite não passa
e nem a lua, veja lá, veio hoje descer
o que posso nomear
não pode me ferir
a poesia é tentativa
[a mais certeira]
de se sangrar
com uma faca de plástico
ou um palito de dente
não pode me ferir
a poesia é tentativa
[a mais certeira]
de se sangrar
com uma faca de plástico
ou um palito de dente
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Vigiado
Quando muleque, minha mãe passou a escrever umas frases que eu dizia. Entre a mãe-coruja que quer perpetuar o filho, torná-lo póstumo ainda que não morra, e a pessoa que admirava, só. Um dia abri um caderno e vi umas três ou quatro: aspas, data e meu nome.
"Todo mundo que vive na margem é marginal?", acho que eu tinha meus dez verões nessa época. Me senti como se tivessem arrombado a porta do banheiro na hora do meu banho. Eu lá, à vontade, esquecido da existência de qualquer outro, de repente uma horda de paparazzis saem de todas as frestas, da janelinha, por cima do box, no buraco do azulejo e eu, tapando meu sexo, desolado tateando as paredes para encontrar minha toalha, enquanto me ocupo de desviar dos flashes. Rubro, branco.
- E desde quando você fica me vigiando?
- Sobre o que você está falando, Mau?
- Porra, mãe! Eu vi no caderno! Se você passar a anotar tudo o que eu falo, eu vou falar pensando no que digo, se é digno de ir pro seu caderninho!
Eu não mudei nada. Sistematizando minha anarquia. Tentando respeitar esse jeito torto de pensar. Arranjando um modo-de-produção poético. Querendo fazer tudo do meu jeito, se envergonhando na frente de uma câmera, na frente da turma. Pensando assado.
A ideia, mãe, é ótima. Mas eu não podia ficar sabendo, porra! Você perdeu reflexões e eu ganhei mais medos. Que bela troca!
"Todo mundo que vive na margem é marginal?", acho que eu tinha meus dez verões nessa época. Me senti como se tivessem arrombado a porta do banheiro na hora do meu banho. Eu lá, à vontade, esquecido da existência de qualquer outro, de repente uma horda de paparazzis saem de todas as frestas, da janelinha, por cima do box, no buraco do azulejo e eu, tapando meu sexo, desolado tateando as paredes para encontrar minha toalha, enquanto me ocupo de desviar dos flashes. Rubro, branco.
- E desde quando você fica me vigiando?
- Sobre o que você está falando, Mau?
- Porra, mãe! Eu vi no caderno! Se você passar a anotar tudo o que eu falo, eu vou falar pensando no que digo, se é digno de ir pro seu caderninho!
Eu não mudei nada. Sistematizando minha anarquia. Tentando respeitar esse jeito torto de pensar. Arranjando um modo-de-produção poético. Querendo fazer tudo do meu jeito, se envergonhando na frente de uma câmera, na frente da turma. Pensando assado.
A ideia, mãe, é ótima. Mas eu não podia ficar sabendo, porra! Você perdeu reflexões e eu ganhei mais medos. Que bela troca!
e o que vem depois?
já me lembrei de esquecer meus medos
já guardei, até de mim, todos meus segredos
já colhi vitamina C direto do cacho
já ouvi minha música de macho
já ensaiei minha frase de efeito
e tô pronto pra matar no peito
pois sou filho de leminsky e seu hino
e o que pintar, agora, eu assino
já me lembrei de esquecer meus medos
já guardei, até de mim, todos meus segredos
já colhi vitamina C direto do cacho
já ouvi minha música de macho
já ensaiei minha frase de efeito
e tô pronto pra matar no peito
pois sou filho de leminsky e seu hino
e o que pintar, agora, eu assino
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
reverberação do tempo
Acordou berrando e esperneando ao ver a luz
levantou da cama e fez perguntas idiotas (capciosas) a si
[entre o transe do sono e o pé no chão gelado]
tomou um banho gelado e animou-se, juvenil
[chegou a se indignar com o noticiário matinal]
entrou no carro e dirigiu ao trabalho com o braço pra fora da janela, som alto
no caminho pra sala topou o chefe e cumprimentou com respeito
trabalhou com a experiência dos seus já 40 anos
despediu do chefe, aposentado, louco pra ir pra casa
jantou e prostrou na frente da televisão
[babava]
deitou e faleceu
levantou da cama e fez perguntas idiotas (capciosas) a si
[entre o transe do sono e o pé no chão gelado]
tomou um banho gelado e animou-se, juvenil
[chegou a se indignar com o noticiário matinal]
entrou no carro e dirigiu ao trabalho com o braço pra fora da janela, som alto
no caminho pra sala topou o chefe e cumprimentou com respeito
trabalhou com a experiência dos seus já 40 anos
despediu do chefe, aposentado, louco pra ir pra casa
jantou e prostrou na frente da televisão
[babava]
deitou e faleceu
terça-feira, 17 de novembro de 2009
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
vamo lá, eu acho que todos os textos do mundo tinham que ser escritos assim, na tora. Esse ponto final é pra eu respirar e pra pensar em outra coisa pois a minha cabeça é curta e rápida, igual uma tirinha do laerte, ela não sabe se delongar em tantos assuntos, ela quer passar por tudo e ainda a seu modo somente. de vez em quando ela volta, como que se cobrando por uma razão, uma mínima, para que eu não vá tantas léguas à frente e como querendo aprender, tentando fixar algo. Tanto é que foi outro ponto final. Eu dizia sobre como acho que todas as coisas deveriam ser escritas assim como Jack Kerouac ou como Saramago. porque dividir em capítulos, porque dividir em parágrafos, se quando pensei foi tudo junto? agora começo a achar que ponto final não é pausa pra porra nenhuma porque quando eu pensei em algo e logo depois mudei para o outro algo eu só fiz isso porque existiu o primeiro, logo, eu não mudei de assunto, minha cabeça simplesmente fluiu para essas bandas, e só fluiu porque precisou daquela placa de atalho. O ponto final, eu ia falar, é a intersecção do pensamento velho com o que vem vindo e que, para mim, vem ligeiro e vai ligeiro. Sinto que preciso dar vazão aos sentimentos, como diria aquela camiseta que eu vi numa loja pra comprar, e vou falar que ao mesmo tempo que achei bonita pela iniciativa achei uma puta sacanagem, pois dar vazão aos sentimentos é algo perigoso e não vem assim tão fácil. eu precisei de semanas de tristeza para me sentir vivo de novo. é preciso encher quando se está vazio e esvaziar quando se está cheio e coçar quando tiver coceira. mas, porra, me lembrar que preciso dar vazão é o que eu me lembro toda hora e por isso é triste abandonar minha tristeza. mas eu achei a camiseta uma puta sacanagem porque pareceu-me não como lembrete, mas como obrigação. ninguém é obrigado a isso não. é obrigado a sentir, isso sim. mas não a demonstrar isso, e fica até mais bunito quando não se quer demonstrar e acaba demonstrando, esses são os que ralmente sentem. E eu gosto é dessas pessoas que sentem, que se arrepiam com qualquer firmeza no falar, com qualquer conjugação idiota, que se idiotizam pra sentir esse turbilhão de coisas que eu quero como um futurista que passem sobre mim e me esmaguem! E a minha vem assim, mas do que nunca, em dias como hoje. Se eu amasse alguém, tá, eu amo alguns alguéns, mas tivesse comigo alguém que eu amo e que me entendesse, aliás parecesse me entender, porque ninguém entende ninguém já que eu mesmo não me entendo, se eu tivesse esse alguém, aí então eu falaria uma porção de coisas bonitas para essa pessoa. E juro que nem pensaria, pois eu estou com o peito aberto, flamejando de vontade de botar pra fuder e não encontro uma viv'alma que esteja sentindo o mesmo que eu, caralho!
domingo, 8 de novembro de 2009
Lá vem
Já vem vindo a nova velha sombra para me iluminar
Eu bem maior que o mundo
que se lasque a legalização da maconha
ou a nova missão da polícia
ou a última frase de Dilma-Lula
ou o último caso daquela atriz gostosa
ou o quantas twittadas por minuto são possíveis
ou o preço do seu ray ban
eu quero mesmo é gozar.
Eu bem maior que o mundo
que se lasque a legalização da maconha
ou a nova missão da polícia
ou a última frase de Dilma-Lula
ou o último caso daquela atriz gostosa
ou o quantas twittadas por minuto são possíveis
ou o preço do seu ray ban
eu quero mesmo é gozar.
Guerra dos Sexos
O problema das feministas é que elas são tão machistas quanto os homens. Um desejo insaciável de superar o sexo oposto - como elas adoram ressaltar - de serem poderosas. Competindo com esse papo de igualdade de gêneros, de equiparação.
Para mim é muito claro que só o que muda é o que está no meio das pernas. É, tem a TPM também. Mas falo apenas por mim.
Admiro os homens que falam por elas. Um salve pra Lars Von Trier e para o Tom Zé. Para o Dan Brown não, só porque ele é best-seller.
Para mim é muito claro que só o que muda é o que está no meio das pernas. É, tem a TPM também. Mas falo apenas por mim.
Admiro os homens que falam por elas. Um salve pra Lars Von Trier e para o Tom Zé. Para o Dan Brown não, só porque ele é best-seller.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
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